Concorrência no Setor Têxtil, Vestuário, Moda e Confecção

A pesquisa bibliográfica foi seguida por “protocolos verbais”, onde executivos do setor foram entrevistados e forneceram novos elementos, agora sobre a dinâmica concorrencial do setor.

A identificação das forças competitivas revela que indústria têxtil opera entre duas frentes com elevado poder de barganha: de um lado um mercado altamente disputado, abastecido por produtos com ciclo de vida muito pequenos , alguns de dois meses apenas; e do outro um conjunto de fornecedores que exerce pressão não menos elevada.

É de fundamental importância para o setor, o abastecimento de matérias primas e de insumos para a produção. Nesta abordagem o estudo do suprimento é feito por blocos, permitindo a análise individual do poder de barganha de cada grupo de fornecedores.

ALGODÃO – É a principal matéria prima das indústrias brasileiras, com um consumo anual de 555.000 toneladas. Representa cerca de 30% do custo total do produto acabado.

Comprimento e resistência da fibra, cor e grau de pureza, são atributos que determinam a qualidade de matéria prima, classificando os fornecedores.

Para apoiar o produtor de algodão existem, no Brasil, institutos como o IAC – Instituto Agrícola de Campinas e EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola.

Outra fonte de matéria prima é o mercado externo. Seu acesso é restrito e as compras sujeitas à taxações. O exportador é beneficiado pelo sistema “Draw Back”. O IPT de São Paulo fornece relatórios a cerca do consumo de matéria prima, nos produtos exportados, determinando o volume a ser importado. As importações tem que se submeter às políticas aduaneiras.

Na contínua busca do adequado abastecimento algumas empresas estendem suas atividades até o plantio do algodão.

Com a atualização tecnológica dos processos, aumentando a velocidade imprimida nos equipamentos de fiação, tecelagem e malharia, aumentam as exigências em termos de qualidade da matéria prima.

Existe um equilíbrio entre oferta e demanda de algodão, tanto no Brasil, como no mercado externo. Internamente, o governo interfere, através de políticas agrícolas, nos preços praticados.

Outra interferência é das cooperativas, que tem maior poder de barganha, segurando o produto e “forçando” os preços.

Pelo exposto conclui-se que as empresa compradoras sofrem inúmeras pressões, ao buscar a matéria prima, não empregando políticas de estoque mínimo, pois o risco associado é elevado.

Gerentes de departamentos de compra tem apontado como alternativas: monitoramento da safra por parte do comprador e o apoio por tecnologia de informação, tais como disponibilidades de terminais de computador que os coloque em contato com as bolsas de Nova York e Chicago. A informação representa “diferencial competitivo”, desde o abastecimento do processo produtivo, com matéria prima.

CORANTES E PRODUTOS QUÍMICOS – São insumos muito importantes para a indústria têxtil, os corantes e produtos químicos. Um exemplo: peróxido de hidrogênio, usado em alvejamento das fibras de algodão.

O processo de fabricação destes insumos exige grandes investimentos e o domínio de processos de química fina, o que reduz os fornecedores a pouca e grandes empresas transnacionais, acentuadamente as alemães.

Com relação aos produtos químicos o quadro é um pouco melhor, pois existem opções de fornecimento no mercado nacional.

EMBALAGENS – A indústria têxtil está sujeita aos papeleiros, que constituem um grupo fechado. Para minimizar o poder de barganha deste grupo de fornecedores, o setor tem buscado estabelecer novas relações “fornecedor-cliente”, com o emprego de recursos disponíveis em ambientes que operam segundo as regras do “JIT”.

EQUIPAMENTOS – Com relação a compra de equipamentos, observa-se a desatualização do parque fabril têxtil nacional. Poucos investimentos tem sido feito de 80 para cá. Isto tem reflexo direto na oferta de equipamentos pelo mercado nacional.

Ao recorrer ao mercado externo para a aquisição de equipamentos, o comprador brasileiro deve passar pelo crivo da SEI(Secretaria Especial de Informática do Ministério de Ciência e Tecnologia), INPI (instituto Nacional de Propriedade Industrial), SINDIMAQ (Sindicato de Fabricantes de Máquinas), ABINEE (Associação dos Fabricantes de materiais Elétricos e Eletrônicos), ABIMAQ (Associação de fabricantes de Máquinas), além dos órgãos governamentais reguladores e agenciadores de importação o BEFIEX e a carteira de câmbio do Banco do Brasil.

2 comments for “Concorrência no Setor Têxtil, Vestuário, Moda e Confecção

  1. Sandra Cristina de oliveira Fiore
    24 de agosto de 2013 at 5:19 pm

    Como ter um preço competitivo em relação ao site da própria marca que vou vender na minha loja virtual de multimarcas, caso, essa marca tenha um site de vendas também no varejo?

    • Fernanda Marina Tavares
      24 de agosto de 2013 at 5:43 pm

      Olá…. sugiro que converse com o pessoal da marca, e que explique a sua situação. Acredito que eles venderem a um preço menor que as lojas multimarca para quem fornece seja amadorismo.
      Se eles não mudarem de posição, e você não tiver como baixar seus preços até chegar a algo parecido com os deles, sugiro mudar de fornecedores.
      ABRAÇO

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