Gerenciamento de conteúdo e de aprendizagem

A importância de se efetivar com sucesso o processo de “mediação tecnológica” nos ambientes virtuais, seja ela em atividades comerciais ou em atividades educacionais, nos leva a aprofundar a questão da área educacional, tendo em vista a evolução dos cursos ofertados na modalidade EAD e o uso do e-learning, assunto tratado em capítulo anterior. Para estes ambientes a indústria de software desenvolveu um produto denominado LCMS – Learning and Content Management System. Em nossos cursos tratamos estes elementos como “SGCA – Sistemas de Gerenciamento de Conteúdo e Aprendizagem”.
Estes sistemas cobrem ou deveriam cobrir as seguintes atividades:

1) “Comunicação multidirecional” entre os participantes, isto é, entre professores, tutores e alunos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Isto envolve a utilização de e-mail, listas e grupos para comunicação assíncrona e facilidades de montagem de salas de conversação para comunicação síncrona. Alguns sistemas permitem utilização de videoconferência.
2) “Auto-avaliações” individuais e somativas, com retorno imediato ou assíncrono.
3) Envio e recepção de materiais em múltiplas vias, do professor ou tutor para os alunos, dos alunos para os tutores e professores e por último entre os alunos participantes do ambiente, compartilhando recursos.
4) “Facilidades suporte” ao estudante em casos de dúvida sobre acessos ao ambiente e desenvolvimento de atividades de pesquisa, obtida através de bancos de respostas às perguntas mais comuns.
5) Registro de participação do aluno e registro e acompanhamento do desenvolvimento do curso pelo aluno.
6) “Ferramentas auxiliares”, tais como, páginas WEB, diários, calendários, etc.
7) Interfaces que apresentem adequabilidade aos conteúdos e navegabilidade fácil e agradável (“usabilidade”).

Os ambientes virtuais de aprendizagem podem ser utilizados para o desenvolvimento de atividades de cursos presenciais, caso em que sua utilização é extremamente simplificada, constando apenas de lançamentos de notas e envio e recepção de materiais. Eles podem ser utilizados para atendimento de disciplinas oferecidas totalmente na modalidade da educação a distância e componentes de cursos presenciais. Neste caso o controle do ambiente, requer o desenvolvimento de planos de curso mais detalhados e atividades de auto-avaliação, avaliação somativa, utilizando praticamente todos os recursos citados anteriormente. Eles podem ser utilizados no desenvolvimento de cursos completos, compostos por diversas disciplinas ou unidades didáticas, envolvendo diversos níveis educacionais. Podem ser utilizados em cursos de graduação normais, cursos técnicos, tecnológicos, pós-graduação. Em outros países ele pode ser inclusive utilizado para cursos de mestrado e doutorado, prática ainda não corrente em nosso país.

Gerenciamento de conteúdo e de aprendizagem CMS

Gerenciamento de conteúdo e de aprendizagem CMS

O primeiro problema encontrado em sua utilização refere-se ao número de alunos participantes por turma. Apesar de o objetivo econômico ser um dos fatores preponderantes, pode-se perder muito da qualidade didático-pedagógica, se a infra-estrutura de comunicação e a logística de oferta de materiais e acompanhamento tutorial, não forem desenvolvidas de forma cuidadosa. No ambiente destes cursos a aprendizagem colaborativa e a abordagem da aprendizagem baseada em problemas tomam o lugar da prática centrada no professor e nos conteúdos, normalmente adotadas nos cursos presenciais, sendo o ambiente totalmente centrado no aluno e no desenvolvimento de atividades de estudo independente. Aos projetistas instrucionais e docentes, cabe a responsabilidade de criarem as condições para que a atividade da aprendizagem ocorra, incentivando o aprender a aprender e o aprender pela pesquisa. Os ambientes virtuais de aprendizagem apresentam características que nos interessa destacar:
a) Com relação aos materiais
A liberação de materiais pode ser efetuada de forma simples e rápida, com possibilidades de ligação direta com fontes de recursos para pesquisa, possibilitando o acesso a rotinas de simulação ou tutoriais inteligentes ou não. Os problemas surgem quando estes os materiais não foram projetados para o ambiente on-line, sem integração com as apresentações, seminários presenciais ou atividades presenciais levadas a distância e finalmente com relação aos direitos autorais.
b) Quanto a facilidade de uso
Pudemos observar que se a adequabilidade e navegabilidade estão de acordo com as técnicas e práticas de desenvolvimento ergonômico de interfaces com o usuário, o acesso é extremamente facilitado para o aluno. Os problemas ocorrem quando o aluno fica frustrado pelas limitações do material apresentado, estando a tecnologia em desenvolvimento de materiais didáticos em hipermídia ainda em seus passos iniciais. Outro problema é quanto ao resultado de pesquisas, que indicam a falta de costume de leitura de materiais on-line,

havendo pessoas que imprimem seus e-mails para leitura mais fácil, deixando de economizar recursos.
c) Quanto ao acesso presencial
A liberação de materiais, trabalhos e avaliações on-line evita o comparecimento do aluno na instituição de ensino, podendo estes materiais ser acessados quando necessários, a partir de qualquer lugar e em qualquer hora. Muitos educadores consideram que esta ausência pode prejudicar o aluno e não criar uma identidade com a instituição e compreensão de sua missão. Devem ser tomados cuidados especiais com alunos que não tem acesso aos recursos da tecnologia, sendo para estes, necessária a preparação de materiais impressos ou em outros meios que possam ser enviados, exigindo logística de distribuição dos materiais em multimeios.
d) Facilidades de acesso à educação
Um dos mitos da educação a distância é constantemente citado em sua defesa, a democratização do acesso à educação. Esta afirmativa, em nosso país, não resiste a uma análise mais profunda. O que se facilita é o acesso de pessoas que, já estando no mercado de trabalho, necessitam de requalificação e, desta forma a instituição pode atingir mais alunos, mas ainda pertencentes às camadas privilegiadas e que têm acesso às tecnologias envolvidas com a educação a distância.
e) Quanto à orientação aos alunos
Nos ambientes virtuais, os alunos ganham a possibilidade de participar em projetos colaborativos, abordagens inovadoras do processo educacional, contato com tecnologias emergentes, aprender de forma independente, dividindo a responsabilidade da aprendizagem com os professores. Porém, deve-se tomar cuidado especial, levando em consideração que a aprendizagem independente exige serviços complementares de acompanhamento tutorial e uma estrutura de comunicação eficaz.

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