A visão executiva dos profissionais de TI

Datz (2004) sustenta que, nas décadas de 80 e 90, os profissionais recém graduados
em Ciência da Computação eram bem vindos nas empresas. Nesta época, a computação no
ambiente corporativo era novidade e a ligação entre o técnico em si e o processo de negócio
ainda era tímida. Uma vez que a oferta de mão-de-obra de TI era escassa, os profissionais
eram mais valorizados. Atualmente, o valor desse tipo de profissional caiu em função de um
conjunto de fatores. Primeiro, existe o mesmo tipo de mão-de-obra em outros países a preços
bem atrativos (KOCH, 2004). Segundo, os meios de comunicação de dados e voz ficaram
baratos e confiáveis. Terceiro, nem todos os profissionais de TI têm uma visão madura dos
processos de negócio. Desta forma, a empresa aceita considerar soluções alternativas como a
terceirização.
Segundo Datz (2004), os diretores de sistemas das empresas reclamam que os
profissionais recém-formados não possuem bagagem de conhecimento adequada para
contribuir no ambiente de TI corporativo. Este aspecto está fazendo com que as escolas
repensem os currículos que tradicionalmente transformavam crianças em programadores.
Mesmo com toda dedicação, este é um processo que leva tempo e eventualmente não
acompanhará as mudanças da tecnologia.
Este cenário incentiva a empresa a terceirizar sua área de TI, em função das empresas
especializadas neste tipo de serviço oferecerem soluções que aparentemente são mais

imediatas, baratas e eficientes. Ainda, a manutenção de equipes próprias pode sobrecarregar a
estrutura administrativa da empresa e criar na agenda de decisões pontos de atenção de pouco
valor para o negócio.
A terceirização das equipes de TI apresenta benefícios potenciais, como a redução de
custos, melhor qualidade do serviço e aplicação imediata de conhecimento em tecnologia
(BAHLI E RIVARD, 2005). No entanto, esta estratégia também aumenta o risco de uma
evolução prejudicial à operação de uma organização. Nem todas as experiências de
terceirização alcançam o sucesso esperado. Por exemplo, em virtude da equipe terceirizada
não ter a visão do todo e conseqüentemente não ter condições de desenvolver o sentimento de
propriedade sobre o produto final, a qualidade dos resultados gerados pode ficar
comprometida (DATZ, 2004; KOCH, 2004).
Existem evidências de que as empresas estão preferindo arcar com o custo de
cancelamento de contratos de serviços e recompor suas capacitações a partir de recursos
internos (BUXBAUM, 2002; apud LEVINA E ROSS, 2003). Este fato reforça a necessidade
de capacitação do corpo técnico e a necessidade de maior comunicação com a alta gerência da
empresa prestadora de serviços, a fim de identificar oportunidades antecipadamente e compor
a chamada prontidão estratégica (KAPLAN E NORTON, 2004). Desta maneira, a empresa
prestadora de serviços tem capacidade de responder com rapidez a um estímulo do mercado,
ou seja, a empresa aprende e se reconfigura para se adaptar ao perfil de demanda do mercado.
Para evitar que a gestão de TI recaia sobre administração de contratos de terceirização,
Koch (2004) sugere para os diretores da área de sistemas algumas medidas para preservar
suas equipes. Conforme sua argumentação, as propostas de terceirização também apresentam
riscos que podem comprometer os resultados. De uma forma geral, os principais fatores de
risco são o custo elevado de coordenação da equipe terceirizada e a distância que separa os
executivos de negócio dos assuntos do dia-a-dia de TI. Na visão executiva, esta é a causa da
percepção de que a empresa não está obtendo retorno nos investimentos em TI. Além disso,
os diretores da área de sistemas não conseguiram demonstrar de forma clara o valor da equipe
interna de TI frente às equipes de terceiros. No entanto, estas constatações parecem ser
prematuras e ainda não constituem uma tendência lastreada em fatos. A pesquisa reparte os
gastos com TI em oito tipos: computadores, equipamentos de rede de comunicação de dados,
telecomunicações, armazenagem de dados, serviços terceirizados de TI, software de
infraestrutura, software para e-business e software para segurança (KOCH, 2004). A pesquisa
não contém um ítem específico para os gastos com as equipes internas de TI, mas menciona
as expectativas de gastos com terceirização, os quais se mostram estáveis.

TEXTO POR: Valter Moreno, Flavia Cavazotte e Eduardo de Farias

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