A empresa na era das TICS

A tecnologia da informação assumiu nas últimas décadas uma posição de destaque no “organograma funcional” das organizações do mercado contemporâneo.
PORTER (2001) considera que nos dias atuais a “competitividade” de uma empresa pode ser medida pelo grau e quantidade de tecnologia que ela utiliza para melhoria do desempenho de seus serviços operacionais.
O advento e desenvolvimento das comunicações, mais especificamente do fenômeno denominado Internet, traz perspectivas ainda não totalmente aproveitadas ou sequer conhecidas para uso em “e-commerce”, “e-business”, e outras áreas que permitem antever a criação da empresa virtual no mercado digitalizado.
Grande parte dos administradores coloca em suas obras que o levantamento de evidências, em termos de retorno de investimento dos gastos em tecnologia da informação, é uma atividade que não conduz a resultados conclusivos, por incluir no balanço, fatores intangíveis, relacionados com melhoria de desempenho, melhoria da imagem da empresa, todos eles fatores que não podem ser contabilizados na frieza dos números.

A empresa na era das TICS
A empresa na era das TICS

Em nossos cursos temos utilizado o posicionamento de alinhamento estratégico da tecnologia da informação, considerando a informação e a posse do conhecimento que ela pode trazer, como um diferencial competitivo de elevada significância. Como o mercado muda de forma extremamente dinâmica na sociedade atual, este fator que também não é mensurável, representa a colocação de PORTER analisada no início do capítulo, ou seja, “considera-se uma organização tão mais competitiva quanto mais ela utiliza a tecnologia da informação na racionalização de seus processos operacionais internos”.
Assim adquire significado para a empresa o uso da tecnologia da informação alinhada com os seus objetivos estratégicos e no planejamento de novos comportamentos e atitudes no mercado, baseado no comportamento da concorrência, como vimos no capítulo referente à inteligência competitiva.
Desta forma, as grandes empresas, que não terceirizam o desenvolvimento dos sistemas alinhados com a estratégia empresarial, utilizam de forma intensiva os sistemas de informação como uma ferramenta para aumento de competitividade, e mesmo assim, não

conseguem resultados que possam ser representados em números exatos. Saber os atos dos concorrentes e eventualmente obter sucesso na antecipação de atitudes ou comportamentos no mercado, muitas vezes são utilizados como justificativa para os “elevados custos” que estes sistemas apresentam.
A partir destas considerações, o trabalho do analista de sistema ou do CIO encarregado vai estar centralizado em uma série de entrevistas com as chefias e com as lideranças empresariais, visando levantar e definir de forma clara os objetivos dos negócios da empresa e as formas de mensurar o sucesso obtido no mercado, por meio de métricas particulares, nem sempre divulgadas. As reuniões devem ser periódicas de modo que em caso de erro, não se perca um tempo irrecuperável. Desta forma, o analista de sistemas ou o CIO deve estar constantemente analisando os “dados de desempenho da empresa no mercado” e apresentando resultados, efetivando consultas sobre a melhoria e analisando de modo concomitante, a atuação da concorrência no mesmo nicho de mercado.
Até agora estamos tratando da empresa como de grande porte. Mas, o que fazem as empresas de médio e pequeno porte? O custo da implantação da tecnologia da informação e seu uso exaustivo é elevado. O surgimento, inicialmente da Internet, nivelou o acesso das empresas de pequeno e médio porte e o surgimento da WEB2.0 vai permitir que estas empresas utilizem as mesmas ferramentas que as grandes organizações utilizam, pois elas vão estar disponíveis de forma on-line para utilização, o que na realidade equivale à montagem de um consórcio ou cooperativa, o que certamente vai baratear custo e permitir que consultores externos mantenham contato direto com o dono da empresa, com seus descendentes ou com suas gerências, que apresentam um perfil totalmente diferente dos profissionais que trabalham nas empresas de grande porte. Fato este que poderá permitir o desenvolvimento de soluções que elevem o nível de faturamento das empresas de pequeno e de médio porte de uma forma inesperada. Esta atividade equivale a desenvolver um outsourcing na área de tecnologia, atividade que será cada vez mais freqüente, já que além do custo dos programas, não vai se ter o custo de estruturas tecnológicas que podem permanecer ociosas por um longo período de tempo.

Voltando a considerar a empresa de grande porte, a principal questão será então, o mesmo que para a pequena e média empresa, o alinhamento das tecnologias da informação com a estratégia empresarial, já que todas elas, independente de seu tamanho devem ter estabelecido um plano que permita sua sobrevivência no mercado extremamente competitivo da sociedade contemporânea.
O problema torna-se mais simplificado do que tentar levantar benefícios intangíveis e pode facilitar o trabalho de consultores especialistas atuando em níveis diferenciados de análise de custos, benefícios e retorno do capital investido (ROI – Return of Investment).
Esta visão que está sendo apresentada ao aluno, considera como “pressuposto” que a tecnologia da informação faz parte integrante da “estratégia de negócios” da organização. Considera-se, sem que seja exigida uma contra-prova do fato que ter tecnologia da informação, dá para a empresa um maior nível de competitividade, o que nem sempre pode ser verdadeiro, por estar na dependência direta da atuação humana em contextos diferenciados, no qual o senso crítico e a criatividade devem ser desenvolvidos de forma exaustiva. Sem este enfoque torna-se difícil considerar o investimento em tecnologia da informação como tal, sendo ele deslocado para a posição de um centro de custos, que apenas consome recursos e não traz benefícios sensíveis, ainda que muitos deles sejam intangíveis.
Estes fatos nos levam a considerar que a tecnologia da informação para a empresa contemporânea somente tem sentido se considerada como uma estratégia de negócio, voltada para adquirir novos conhecimentos que permitam manter sua atividade no mercado ou aumentar a sua participação, considerando que sem informações suficientes e uma atuação rápida, a empresa não tem como competir no mercado, o que vale tanto para a grande empresa, como para a pequena e média empresa.

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