Análise do Setor Têxtil, Vestuário, Moda e Confecção

Procurando analisar o setor têxtil no Brasil, verifica-se que indústria têxtil brasileira tem uma participação histórica e decisiva no processo de desenvolvimento industrial do País, porquanto foi um dos primeiros setores industriais a ser implantado, remontando aos tempos do Império.

O setor ESTRUTURA-SE com empresas espalhadas por todos os recantos do País, gerando milhões de empregos, sejam eles diretos, na fase de produção fabril, ou indiretos, na produção de matérias-primas e vários outros insumos. Destaca-se como estimulador da criação de outras indústrias, entre as quais de máquinas têxteis, de fibras artificiais e sintéticas, de embalagens, de drogas e anilinas. Não se pode omitir a imensa massa trabalhadora, existente na produção de fibras naturais, na lavoura e na pecuária ovina.

Análise do Setor Têxtil, Vestuário, Moda e Confecção

Análise do Setor Têxtil, Vestuário, Moda e Confecção

Embora indefinido o número de trabalhadores diretamente agregados ao processo produtivo têxtil, estima-se em aproximadamente, um milhão de pessoas.

Setor Têxtil brasileiro

Seu desempenho no comércio exterior, onde compete com países de maior tradição, proporcionando uma geração líquida de divisas das mais significativas de todo o setor industrial, cerca de um bilhão de dólares anuais, realça ainda mais sua importância no cenário econômico nacional. Para ser ainda mais precisa, esta informação foi conferida junto ao Sindicato Patronal em julho de 1995, exportamos m 1993 – informação mais recente que se tem no setor, US$ 1.346.766.000,00, de produtos têxteis. A produção correspondente em toneladas é de 1.050.000, cuja participação do algodão enquanto matéria prima foi de 830.000 toneladas.

O Setor Têxtil é formado por cerca de 5.000 empresas, das quais apenas 11% são consideradas de grande porte e 21% de pequeno e médio porte. As microempresas, que atingem 68% do total, representam a grande maioria do setor.

No que concerne à propriedade do capital, o Setor Têxtil caracteriza-se por ser constituído por empresas de capital nacional, pois 91% delas pertence a brasileiros e apenas 9% são de estrangeiros.
O Setor da Confecção é formado por cerca de 11.000 empresas, a maioria micro e pequenas empresas do chamado setor informal.

O setor têxtil, bastante diversificado, compreende diferentes ramos de especialização: Fiação, Tecelagem, Malharia, Acabamento, Tricotagem, Artefatos de Passamanaria, Tecidos Elásticos, Fitas, Filós, Rendas, Bordados e Tecidos Especiais.

Para atender a demanda do mercado no que diz respeito a máquinas, seja para reposição ou expansão do setor, o Brasil desenvolveu uma indústria de máquinas, equipamentos e acessórios têxteis e de confecção, com mais de 60 anos de existência, operando com tecnologia própria ou procedente do exterior.

Tem-se atraído efetivamente, um grande número de fabricantes de máquinas têxteis para o Brasil. Alguns dos principais construtores de equipamentos do mundo, encontram-se atuando no mercado brasileiro. Cerca de 120 fabricantes empregam 5.000 pessoas neste setor.

No que tange aos recursos humanos, a indústria têxtil é o quinto maior empregador de mão-de-obra na indústria de transformação, sendo que este percentual sobe para 15% quando se agrega o setor de confecção.

O estudo de mão-de-obra permite identificar quatro categorias especializadas e ligadas diretamente a produção, manutenção, supervisão e a trabalhos técnicos específicos.

Na qualificação dos recursos humanos, o Brasil já possui um sistema nacional de ensino têxtil e da confecção, contando com uma bem aparelhada rede de unidades que atuam nas diferentes regiões do país, tanto na formação, como na especialização de mão-de-obra. A qualificação, quando se trata do pessoal a nível gerencial, apresenta outros dados. De toda a população empregada no setor, apenas 0,27% tem curso superior.

Quanto ao COMPORTAMENTO o setor têxtil se caracteriza por uma forte heterogeneidade estrutural, expressão das possibilidades de operação de plantas industriais com distintos níveis tecnológicos, bem como da natureza do processo produtivo.

Análises efetuadas, com base em Relatórios Contábeis do exercício de 1986, pela Revista Visão (QUEM É QUEM), revelam que, em termos de participação no lucro total da 1000 maiores empresas, uma fatia de 5% é do Setor Têxtil e Vestuário.

Pela mesma análise verifica-se que no subsetor Fiação e Tecelagem, em termos de patrimônio líquido, as maiores empresas de Santa Catarina representam juntas, 6,3% do total.

Da mesma forma, no subsetor das empresas produtoras de artigos de vestuário e acessórios, as maiores do Estado representam 13% do total nacional.

A presença maciça de pequenas e médias empresas no Setor Têxtil é outra característica deste setor. Na área têxtil, como um todo, esta participação atinge 90% do número de empresas; no segmento de fiação e tecelagem esta participação é de 83% e na malharia de 96%.

A partir deste período, anos 80, destaca-se a participação da “Facção”, e de filiais de confecção, junto às regiões de farta oferta de mão-de-obra.

Convém ressaltar que algumas fases do processo têxtil, apenas grande e médias empresas detém, entre elas está o enobrecimento de tecidos e malhas, que exige elevados investimentos e grande conhecimento técnico.

Os mecanismos de concorrência mais adotados pela empresas relaciona-se predominantemente com as estratégias de comercialização (exportação, regionalização, especialização) e com a integração vertical das atividades, e menos com a adoção agressiva de inovações técnicas.

Os gastos com pesquisa e desenvolvimento realizados pelas empresas do setor têxtil, são reduzidos quando comparados com os realizados por indústrias de outros setores. Isto significa que as inovações tecnológicas na área têxtil são de natureza incremental (não alteram fundamentalmente o processo de fabricação), e são geradas predominantemente em outros setores industriais.

A microeletrônica possui, atualmente, um amplo espectro de aplicação em todos os setores industriais, nos mais diversos níveis, e na área têxtil propicia um aumento no controle sobre o processo de produção, devido a sua maior capacidade de gerar, armazenar e analisar informações.

Pode estar sendo inaugurado, definitivamente, um novo estágio de mecanização na área têxtil, onde o próprio equipamento detecta o erro, procede a correção, registra o fenômeno e dá continuidade ao processo. Estudos realizados pelo SENAI, no segundo semestre de 86, com base na inferência estatística, através de um grupo de empresas do setor têxtil nacional e tomando como parâmetros inovações tecnológicas, constatou que as empresas mais modernizadas encontram-se no Ceará. Isto decorre da modernização de suas fiações.

Verifica-se também uma distribuição mais uniforme em Santa Catarina, onde empresas estão se inovando.

Entre os motivos que conduziram a implantação das inovações pesquisadas, os mais apontados foram: aumento da produtividade, melhoria da qualidade dos produtos e redução de custos de produção, sendo que o segundo destaca-se como relevante na implantação de dispositivos microeletrônicos.

As empresas apontaram também os motivos restritivos da difusão de tecnologia no setor: alto custo, dificuldades de importação de equipamentos e peças de reposição e oferta limitada de equipamentos no mercado interno.

Não foi observada a existência exclusiva de inovação em nenhuma empresa, ou seja, as novas tecnologias convivem no mesmo espaço de produção com a tecnologia convencional.

Se observado quanto ao seu DESEMPENHO, o setor têxtil representa o segundo item na pauta do comércio internacional, tendo atingido cifras de US$ 120 bilhões, excetuando-se o comércio entre países do leste europeu.

O Brasil participa neste mercado com uma fatia de aproximadamente 1%, algo em torno de US$ 1,3 bilhões. As quinhentas maiores empresas do setor exportam 20 a 25% de sua produção, sendo que o restante é vendido no mercado interno, cujo maior consumidor é a região sudeste.

Ao focalizar exclusivamente o setor têxtil vestuário, observa-se uma elevada taxa de crescimento das pequenas e microempresas, especialmente nos últimos cinco anos, concentrando-se na confecção.

Embora os dados sejam escassos, estima-se que 80% do total destas empresas seja de pequeno porte, sendo que 40 a 50% trabalham informalmente, configurando a chamada economia informal.

A proliferação das pequenas empresas, no setor da confecção, tem como motivo principal o menor investimento necessário, bem como a tecnologia de amplo domínio, se comparado com o sub-setor de fiação e tecelagem.

Na composição média dos custos de uma peça de vestuário, do setor em estudo, pode-se citar como itens principais: Algodão (30 a 32%), produtos químicos e corantes (6 a 7%) e mão de obra direta, com seus encargos (30%).

Observam-se como TENDÊNCIAS no setor, ou pelo menos apontadas como grandes necessidades do setor: a renovação do parque fabril, pois a obsolescência das máquinas e equipamentos da Indústria Têxtil Nacional vem sendo apontada desde estudos realizados na década de 50.

A atitude mais comum tem sido, entretanto, a substituição dos equipamentos mais antigos, que já não produziam retorno econômico, por outros, que na maioria das vezes não representavam o “estado da arte” tecnológico.

Aumentar as exportações é outra tendência no setor o que tem estreito relacionamento com seus níveis de qualidade e custos de produção. Estes dependem enormemente, no Setor Têxtil, das máquinas e equipamentos utilizados.

O estudo dos documentos (Vide referências bibliográficas 12, 14, 16 a 19) de onde foram extraídas as informações sobre: estrutura, comportamento, desempenho e tendências observadas no setor têxtil, traz a tona inúmeros questionamentos, destacando-se:

– “Como uma indústria com características tão variadas pode garantir qualidade e produtividade, mantendo-se competitiva se não através de um parque fabril atualizado tecnologicamente e por uma operação suportada por um adequado gerenciamento?”.

Os dirigentes do setor se posicionaram claramente, redigindo em 1984, em conjunto com SENAI e CETIQT, um documento que representava, na época de sua elaboração, “um esforço em prol do desenvolvimento de uma política industrial, voltada para a expansão e atualização dos setores têxteis e da confecção, em termos de equipamentos, matéria prima e recursos humanos”.

Cada um dos sub-setores procurou quantificar necessidade de máquinas, recursos financeiros e mão de obra, prevendo ainda o consumo de matéria prima até o ano 2000, não deixando de destacar a necessidade de capacitação gerencial.

A edição de 1985 do Congresso Nacional de Automação Industrial, teve como tema “Automação e Sociedade”. Neste evento houve uma seção voltada à indústria têxtil, apresentando um estudo conjunto da “São Paulo Alpargatas” e “Santista”, denominado: “Automação na Indústria Têxtil”. O trabalho contém propostas alternativas de automação, bem como enfatiza a necessidade de gerenciamento adequado das inovações.

Em 1987 o SENAI elaborou um documento, abordando as características do “processo de fabricação, evolução e difusão das inovações técnicas, configurações do emprego e estrutura ocupacional na indústria têxtil”. Contém dados indicativos da difusão tecnológica e da qualificação profissional em contexto de mudança técnica e avalia o SENAI quanto ao atendimento ao setor têxtil.

Em 1988, no CONTEC, realizado em Blumenau, apresentou-se um trabalho intitulado: ” A Indústria de Confecção Nacional – Situação Atual e Caminhos para o Futuro”, onde propunha-se como “solução lógica e urgente”, para crises do setor, “uma política industrial de investimentos em avanços tecnológicos e na geração de empregos, que pudesse atender a demanda latente do mercado nacional”.

Mais uma vez os avanços tecnológicos são citados, denunciando o emergente esforço empresarial, na implementação das novas tecnologias.

O Instituto de Economia Industrial da Universidade Federal do Rio de Janeiro, participa do processo de inovação, com diagnósticos, elaborando um questionário, sob encomenda do SENAI, denominado: “Percepção de futuro de especialistas sobre a difusão de inovações e transformações no perfil de qualificação da mão de obra”. Trata-se de um novo esforço em prol da adequação do processo de inovação tecnológica, no país.

Se analisados documentos como “Manufatura de classe mundial no Brasil” percebe-se que “qualidade e tecnologia” são colocadas como “questões e Preocupações administrativas”.

A análise do setor, efetuada segundo a metodologia de “Analise de la Filiere”, exigiu extensa revisão bibliográfica, estudando documentos emitidos pela indústria têxtil brasileira.

A revisão bibliográfica, no seu início voltou-se a “radiografar” o setor, procurando identificar, nos documentos recentes o posicionamento de seus atores frente a inovação tecnológica.

Sentiu-se necessidade nesta fase de obter elementos mais dinâmicos, para alimentar, com mais movimento, uma versão inicial de um modelo.

Esse texto foi escrito baseado em artigos científicos do Capes.

6 comments for “Análise do Setor Têxtil, Vestuário, Moda e Confecção

  1. Aurea Luz
    24 de maio de 2013 at 12:33 pm

    Quando esse texto foi escrito? É um texto completo, mas os dados tão desatualizados.

    • marco
      24 de maio de 2013 at 10:44 pm

      Olá… os dados são de uma monografia escrita no ano de 2010, e realmente podem estar defasados.

  2. Geni Barbosa
    20 de junho de 2014 at 6:52 pm

    Olá , sou estudante e minha pesquisa para o Mestrado em Gestão de Recursos Humanos é sobre o fenômeno da falta de mão de obra especializada para o setor têxtil (as costureiras). Gostaria de receber contribuições através de informações importantes sobre o setor. Ficarei muito agradecida e não deixarei de mencionar as fontes. Obrigada. Geni Barbosa

    • ESTER BARBOSA
      20 de setembro de 2015 at 2:26 am

      OLA BOM DIA : Relmente no setor da cofecção esta faltando mão de obra sim, isso é preocupa , porque ameaça a produtividade e qualidade do produto de moda. esta falta faz a industria contratar pessoas não qualificada trazendo prejuízo e desconforto ao consumidor.

  3. Viviane
    18 de julho de 2015 at 11:37 am

    Quero utilizar informações desse texto no meu trabalho, preciso saber qual autor e o ano.
    Consegue me ajudar.
    Essa informação abaixo que pretendo utilizar:
    O Setor Têxtil é formado por cerca de 5.000 empresas, das quais apenas 11% são consideradas de grande porte e 21% de pequeno e médio porte. As microempresas, que atingem 68% do total, representam a grande maioria do setor.

  4. Vertuan Malhas
    28 de julho de 2015 at 4:21 pm

    28/07/201516:21:45Os melhores preços de Saldos e Lotes de malhas e confecções e outros artigos texteis.

    Atenciosamente;

    Mauricio

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